domingo, 3 de outubro de 2010

Memórias de um Sargento de Milícias

Memórias de um Sargento de Milícias, quem não conhece o famoso livro escrito por Manuel Bandeira no século XIX? Presença quase que obrigatória na maioria dos vestibulares do país. Pois bem me pergunto, o que Memórias de um Sargento de Milícias, teria a ver com samba? Nada .Nada senão fosse Paulinho da Viola.
É o ano de 1966, o Brasil vive um período de ditadura militar, e no Rio de Janeiro chuvas castigam a cidade, trazendo enormes prejuízos a população. Pois diante de todo este cenário, eis que na Portela está lá seu jovem compositor fazendo aquilo que mais sabe: samba.
Neste ano, Portela foi na avenida com o samba Memórias de um Sargento de Milícias, um samba composto por Paulinho da Viola, poesia típica das décadas de 50 e 60. Paulinho foi criativo e soube levar à avenida  com grande humor e delicadeza o tema de Manoel Bandeira. E o resultado foi mais que especial, Portela foi campeã do carnaval carioca de 1966, a letra de Paulinho recebeu nota máxima de todos os jurados e ainda por cima Memórias de um Sargento de Milícias foi gravado, por nada menos que Martinho da Vila no ano 1971.

Era o tempo do rei 
Quando aqui, chegou 
Um modesto casal feliz pelo recente amor 
Leonardo, tornando-se meirinho 
Deu a Maria Hortaliça um novo lar 
Um pouco de conforto e de carinho 
Dessa união, nasceu 
Um lindo varão 
Que recebeu o mesmo nome do seu pai 
Personagem central da história que contamos neste 
carnaval 
Mas um dia Maria 
Fez a Leonardo uma ingratidão 
Mostrando que não era uma boa companheira 
Provocou a separação 
Foi assim que o padrinho passou 
A ser do menino tutor 
A quem lhe deu toda dedicação 
Sofrendo uma grande desilusão 
Outra figura importante em sua vida 
Foi a comadre parteira popular 
Diziam que benziam de quebranto 
A beata mais famosa do lugar 
Havia nesse tempo aqui no Rio 
Tipos que devemos mencionar 
Chico Juca, era mestre em valentia 
E por todos se fazia, respeitar 
O reverendo amante da cigana 
Preso pelo Vidigal 
O justiceiro 
Homem de grande autoridade 
Que à frente dos seus granadeiros 
Era temido pelo povo da cidade 
Luisinha primeiro amor 
Que Leonardo conheceu 
E que Dona Maria, a outro como esposa concedeu 
Somente foi feliz 
Quando José Manuel 
Morreu 

Nosso herói 
Novamente se apaixonou 
Quando com sua viola 
A mulata Vidinha, esta singela modinha cantou: 
Se os meus suspiros pudessem 
Aos seus ouvidos chegar 
Verias que uma paixão 
Tem o poder de assassinar


2 comentários:

  1. Bons textos eihn! anda garimpando a bistória da música popular brasileira

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  2. Muito massa os textos,faz lembrar cada samba bom,samba de verdade.

    Não esquece de falar de um cara malandro de Vila Isabel que tem um clasico do samba " Com que roupa" Noel Rosa.

    Valeu..

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