terça-feira, 5 de outubro de 2010

Olá como vai? Eu vou indo e você, tudo bem!?

Na tarde de hoje, quando estava pensando sobre o que comentar neste pequeno espaço, perguntei ao meu amigo Canova sobre qual assunto interessante que ele achava que eu poderia argumentar. Chico pô, me respondeu prontamente. Tão rápido quanto, concordei com Canova, pois já que dedico este espaço a comentar  sobre música de boa qualidade, nada mais sensato que falar de Chico Buarque de Holanda, uma unanimidade nacional (me desculpe Nelson Rodrigues, nem toda unanimidade é burra).
Pois bem eis que bem no meio do meu caminho literário ouço Sinal Fechado, aí foi covardia. Sinal Fechado, música composta e interpretada por Paulinho da Viola, venceu o 4º e último Festival de Música da Rede Record, realizado no ano de 1969. Belíssima canção, retrata nada mais nade menos o quanto distantes nos tornamos de pessoas que um dia foram muita próximas, por consequências da vida, não por fatos da que possamos a ter culpa.
Como está muito bem colocado no site do mestre Paulinho, "Sinal Fechado é um hino do desencontro, de nossas vidas cada vez mais movimentadas, dos sinais fechados que nos força a observar as pessoas por dentro dos carros, da vida urbana, da necessidade de se buscar um lugar no futuro."Nada mais sincero,autêntico e atual, assim como a obra de Paulinho da Viola.
Canova, perdoe a soberba mais creio que estou desculpado. Com certeza amanhã falaremos sobre Chico e cantaremos Chico, assim como Chico aqui estará representado. Mais hoje quando a ouvir Paulinho, descobri seria impossível descrever sobre qualquer outra coisa.

Ps: Para esta publicação entre tantas pesquisas com todo respeito vasculhei em: http://www.paulinhodaviola.com.br/portugues/a_musica/texto.asp?cat=4, deêm uma olhada, vale a pena!!

Paulinho da Viola - Sinal Fechado (1969) - V Festival da MPB

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Silêncio na Vila Matilde

Voltemos ao ano de 1949, quando jovens e tensos sambistas foram até o cartório batizar sua recém criada escola de samba. Documentos em ordem, empolgação a mil e esquecimento de apenas um único detalhe: o nome da nova agremiação. Com o nervosismo à esta altura já mil, surgiram inúmeras idéias, porém nenhuma  delas agradava à todos, até quando o senhor que trabalhava no cartório perguntou qual nome daquele jovem que tocava um pandeiro tranquilamente, avesso à toda confusão. Nenê, responderam todos. Pronto, problema resolvido, Agremiação Nenê da Vila Matilde.

Seu Nenê, emprestou honrosamente seu nome, a uma das maiores escolas de samba da cidade de São Paulo. Foram ao todo 11 títulos de campeã paulista, incluindo dois tri campeonatos, sendo o primeiro em 1956 com o tema "Casa Grande Senzala" e o último no ano de 2001 com o enredo "Voei voei na vila aportei, me deram a corôa de rei".                                          
Após 47 anos, problemas de saúde obrigaram seu Nenê a transferir a presidência de sua tão querida escola e seu filho Alberto Alves da Silva Filho, o Betinho. Descanse em paz seu Nenê, pois hoje 4 de outubro de 2010, com todo respeito que o senhor merece é dia de silêncio na Vila Matilde.





domingo, 3 de outubro de 2010

Memórias de um Sargento de Milícias

Memórias de um Sargento de Milícias, quem não conhece o famoso livro escrito por Manuel Bandeira no século XIX? Presença quase que obrigatória na maioria dos vestibulares do país. Pois bem me pergunto, o que Memórias de um Sargento de Milícias, teria a ver com samba? Nada .Nada senão fosse Paulinho da Viola.
É o ano de 1966, o Brasil vive um período de ditadura militar, e no Rio de Janeiro chuvas castigam a cidade, trazendo enormes prejuízos a população. Pois diante de todo este cenário, eis que na Portela está lá seu jovem compositor fazendo aquilo que mais sabe: samba.
Neste ano, Portela foi na avenida com o samba Memórias de um Sargento de Milícias, um samba composto por Paulinho da Viola, poesia típica das décadas de 50 e 60. Paulinho foi criativo e soube levar à avenida  com grande humor e delicadeza o tema de Manoel Bandeira. E o resultado foi mais que especial, Portela foi campeã do carnaval carioca de 1966, a letra de Paulinho recebeu nota máxima de todos os jurados e ainda por cima Memórias de um Sargento de Milícias foi gravado, por nada menos que Martinho da Vila no ano 1971.

Era o tempo do rei 
Quando aqui, chegou 
Um modesto casal feliz pelo recente amor 
Leonardo, tornando-se meirinho 
Deu a Maria Hortaliça um novo lar 
Um pouco de conforto e de carinho 
Dessa união, nasceu 
Um lindo varão 
Que recebeu o mesmo nome do seu pai 
Personagem central da história que contamos neste 
carnaval 
Mas um dia Maria 
Fez a Leonardo uma ingratidão 
Mostrando que não era uma boa companheira 
Provocou a separação 
Foi assim que o padrinho passou 
A ser do menino tutor 
A quem lhe deu toda dedicação 
Sofrendo uma grande desilusão 
Outra figura importante em sua vida 
Foi a comadre parteira popular 
Diziam que benziam de quebranto 
A beata mais famosa do lugar 
Havia nesse tempo aqui no Rio 
Tipos que devemos mencionar 
Chico Juca, era mestre em valentia 
E por todos se fazia, respeitar 
O reverendo amante da cigana 
Preso pelo Vidigal 
O justiceiro 
Homem de grande autoridade 
Que à frente dos seus granadeiros 
Era temido pelo povo da cidade 
Luisinha primeiro amor 
Que Leonardo conheceu 
E que Dona Maria, a outro como esposa concedeu 
Somente foi feliz 
Quando José Manuel 
Morreu 

Nosso herói 
Novamente se apaixonou 
Quando com sua viola 
A mulata Vidinha, esta singela modinha cantou: 
Se os meus suspiros pudessem 
Aos seus ouvidos chegar 
Verias que uma paixão 
Tem o poder de assassinar


sábado, 2 de outubro de 2010

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Um nome a parte do samba: CARTOLA

Bons tempos, saudosismo, poesia, malandragem, qualquer destas ou outras palavras seriam insuficientes para descrever a genialidade de Angenor de Oliveira, Cartola. Só para citar alguns de seus feitos este rapaz foi um dos fundadores da Estação Primeira de Mangueira, como também um dos descobridores de Paulinho da Viola.
Cartola nasceu no ano de 1908 no bairro do Catete, na cidade do Rio de Janeiro, e desde de sempre seu negócio era malandragem, boemia e samba. Aos 15 anos perdeu a mãe, e tendo que decidir entre estudos, trabalhos ou boemia, acabou sendo expulso de casa pelo pai.
Aos 20 anos casa-se com uma mulher já casada, dona Deolinda, e segundo reza a lenda Cartola exercia atividade de pedreiro para sustentar o lar, aí se dona Deolinda não trabalhasse. Na década de 30 as composições de  Cartola começam a se tornar conhecidas por todo Rio de Janeiro, principalmente no Morro da Mangueira seu refúgio. Junto à amigos, como Noel Rosa e Carlos Cachaça cria o Bloco dos Arruceiros, posteriormente batizado de Estação Primeira da Mangueira. Na década de 30, seu samba começa a ser reconhecido por grandes compositores da época e Divina Comédia, na voz de Francisco Alves se torna seu primeiro sucesso comercial.
Porém a década de 40, foi de grande pesar para este artista, sua esposa dona Deolina, veio a falecer e seu nome desaparece do cenário artístico. Porém no momento mais difícil de sua vida-alcoólotra, desdentado e sobrevivendo de biscates- Cartola conhece dona Zica forma o casal mais bonito da história do samba. Casal esse que permaneceu junto até o dia 30 de novembro de 1980, o dia da morte de Cartola.

Juntamente a união o casal cria o restaurante Zicartola, que se tornaria um dos templos da música na década de 60, principalmente sambistas. Nesta época ele participa do disco de grandes artistas época além de escrever sambas de sucesso, diga-se Alvorada, como exemplo.
Porém na década de 70, já na casa dos 60 anos que Cartola, lança seus discos solos e também seus maiores sucessos, que incluem As rosas não falam,Sala de Recepção, Minha, etc. Canções que até hoje são cantadas em prosa e verso no mundo do samba. Em novembro de 80, os céus levam Cartola porém não calam seus versos. Homenagens póstumas surgem aos montes, principalmente entre os cantores mangueirenses, como Beth Carvalho que na sua voz eternizou a canção As rosas não falam, até Cazuza cantou Cartola, numa respeitável versão de A vida é um moinho.
Uma das mais bonitas homenagens recebidas, foi um samba enredo feito em sua homenagem naquele que seria o ano do seu centenário. Mangueira? que nada, coube a humilde Acadêmicos de São Cristovão essa honra.

Paulinho da Viola - Foi Um Rio que Passou em Minha Vida -

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Deu Bololô

Na linguagem do samba, bololô significa confusão, problema, sinal que alguma coisa não vai bem. E foi exatamente isto que aconteceu no ano de 1968, quando Elza Soares cantou no terceiro festival de música da Rede Record a canção Sei, Lá Mangueira. Problema nenhum se esta declaração de amor a Estação Primeira de Mangueira(Sei lá /Em Mangueira a poesia/Feito um mar se alastrou/E a beleza do lugar...) não tivesse sido composta por um dos compositores de samba enredos da Portela. Nada menos que Paulinho da Viola.
Paulinho, segundo conta a história, passou a ser olhado com desconfiança pelo pessoal da Portela. Imagine o grande Paulinho da Viola, compositor da Portela, escrever um samba exaltando as qualidades de sua maior rival a Mangueira, era para dar bororo, ou não?
Mas Paulinho da Viola, no auge da sabedoria e simplicidade que Deus lhe deu, usou este pequeno entrevo como inspiração, e aí sim compor uma autentica declaração de amor. Em 1969, o poeta escreve nada menos que Foi Um Rio Que Passou em Minha Vida, e eterniza seu nome como o maior compositor da história da Portela.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Exaltando Paulinho da Viola

Este blog surgiu com a missão de prestar uma merecida homenagem a um dos maiores artistas da história da música popular brasileira, Paulinho da Viola. E o título, 'Foi um rio que passou em minha vida', se deve ao fato de esta ser segundo muitos o mais belo samba composto por Paulinho, uma declaração de amor a Portela, sua escola de samba do coração.
Paulinho da Viola, nasceu Paulo César Batista de Faria, no dia 12 de novembro de 1942, na cidade do Rio de Janeiro. Filho do  renomado violinista César Faria (do conjunto de  choro Época de Ouro), deste de jovem contava com parceiros de nome para composição de sambas, diga-se Cartola, Elton Medeiros, Candeia, etc.
Seu primeiro sucesso foi o samba Minhas Madrugadas, gravado no ano de 1965 pela cantora Elisete Cardoso. Nos anos de 1965 e 67, participa do musical Rosas de Ouro, que entre outros feitos revela nada menos que a lendária sambista Clementina de Jesus, já aos 63 anos de idade. Em 69, vence o festival de Música da Rede Record com o samba, "Sinal Fechado ". E no mesmo ano tira o primeiro lugar na Feira Musical da mpb da TV Tupi com o samba "Nada de Novo".

Porém o ano de 1969, apresentaria mais surpresas agradáveis à Paulinho da Viola, neste ano ele compõem o estrondoso sucesso "Foi um rio que passou em minha vida". Uma exaltação à Portela, que foi amplamente cantada no Carbaval de 1970.
A partir deste momento o sucesso não deixa de acománhar Paulinho. Argumento (75), Guardei minha Viola (72), Timoneiro (96), No Pagode do Vavá(72), Pecado Capital (76), que inclusive virou tema de novela, foram algumas de suas composições.
Na década de 90 lança dois discos inéditos, Sinal Aberto em parceria com Toquinha e Bebadodachama , que foi recordista do prêmio Sharp de 1997, o maior evento da música brasileira na década de 90. Em 2008 o cantor gravou o CD acústico da MTV, onde relançou alguns de seus sucessos.
Muitos criticos definem a obra de Paulinho da Viola como uma ponte entre a tradição e a modernidade. Como ele mesmo diz: "Não vivo o passado, o passado vive em mim", e com ele recria sua música sem olhar pra trás.